Diário do Grande ABC

SETECIDADES


quinta-feira, 13 de maio de 2010 8:00

Moradores de Ribeirão protestam contra demolição

Renato Castroneves
Especial para o Diário

10 comentário(s)

Cerca de 40 pessoas protestaram na manhã de ontem contra o fechamento e a possível demolição do quiosque que funicona na estação de trem de Ribeirão Pires. Para os manifestantes, a construção - criada na década de 1940 - faz parte da memória histórica do município.

De acordo com o locatário do espaço e dono do Pão de Queijo Estação, Joel Walzak, 44 anos, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) repassou a área onde o quiosque está construído para a Prefeitura da cidade, que teria pedido o encerramento do TPU (Termo de Permissão de Uso). Atualmente, ele paga R$ 1.390 de aluguel, com seguro de incêndio incluído.

Walzak trabalha no mesmo local há 23 anos e conta com sete funcionários. Segundo o comerciante, um oficial da Justiça informou na sexta-feira que ele deveria entregar as chaves do estabelecimento até ontem, com a possibilidade de demolição em caso de negativa. O comerciante informou que nenhum funcionário da administração municipal teria aparecido no local até as 19h.

Moradores e um funcionário público da cidade, que não quiseram se identificar, disseram que uma unidade da rede de restaurantes Habib's seria construída em frente à estação - local ocupado pelo quiosque. Procurada, a administração municipal não comentou o assunto.

TOMBAMENTO - Para o presidente do Instituto do Patrimônio do ABC, Dalton Edson Messa, 59, a Prefeitura está "aproveitando" que a estação ainda não foi tombada para mexer na estrutura original. "Ribeirão possui o título de estância turística, não acredito que o poder público não queira preservar sua história."

Todas as construções da estação estão em processo de tombamento pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), que é ligado à Secretaria Estadual de Cultura.

O conjunto de edificações é composto pela plataforma principal, armazém ferroviário (atual posto da Guarda Civil Municipal), passarela, cabine de manobras, café da estação (atual Pão de Queijo Estação) e residências de ferroviários.

Ameaça ao local mobiliza moradores

A ameaça de fechar o quiosque que funciona na estação ferroviária de Ribeirão Pires desde a década de 1940 mobilizou os moradores da cidade. Cerca de 500 pessoas assassinaram um abaixo-assinado contra o fechamento e a possível demolição do imóvel.

O aposentado Eduardo Roca, 70 anos, morador de Ribeirão Pires desde 1947, contou que o local era o ponto de encontro dos moradores do município para comemorações. "Lembro que na minha infância lotava de gente aqui para celebrar as corridas de cavalo que existiam em Ribeirão. Isso aqui (a estação) era a coisa mais linda do mundo."

Informado que o quiosque poderia ser demolido, o aposentado mostrou-se surpreso. "Sou contra esta atitude. Como vão derrubar algo que faz parte da história da cidade?"

HISTÓRICO - A estação ferroviária de Ribeirão Pires foi inaugurada em março de 1885. Construída no estilo vitoriano inglês pela empresa São Paulo Railway - detentora da concessão entre 1860 e 1950 - a estação faz parte da linha Santos-Jundiaí.

Segundo o historiador e diretor do Instituto do Patrimônio do ABC Arnaldo Boaventura Neto, 25, a construção da estação impulsionou o crescimento da cidade. "Depois da chegada da linha de trem e o transporte de café do Interior para o Litoral, diversas ruas e comércios surgiram ao redor da estação."




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Comentários

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Anna Oliveira

18/05/2010 às 19:00

É uma vergonha mesmo!!! o pior é que se vcs procurarem mais, vão encontrar mais coisas acontecendo. Fiquei sabendo que este mês foi vendida uma praça de Ribeirão...Como pode uma coisa dessas???


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Eduardo Gobbato

16/05/2010 15:08

Tá na hora da Prefeitura e do prefeito se preocuparem com necessidades mais urgentes para o municipio, pois nem a carteirinha do sus os postos de saude possuem para fornecer ao municipes. Sem falar que remédio só se for por doação de outros, conforme informação de funcionários dos postos.


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Claudio Ramos Silva

14/05/2010 às 12:09

Isto é uma vergonha!!! Querem vender ruas no centro da cidade, demolir obras historicas.... Porque ñ se preocupe em urbanizar a cidade com os terrenos sujos que tem, por exemplo: Antiga fabrica da Siporex, Antiga Rodo ,Antiga fabrica de Papel Tico-Tico, Terreno proximo do Forum, O terreno do lado da nova Rodoviaria


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Paulo

14/05/2010 8:39

vender rua....demolir a historia da cidade....e eu achei que administraçao de Mauá era ruim, mas a de Ribeirão superou...


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Mr. Back

13/05/2010 às 22:48

Este quiosque é exemplo de limpesa e bom atendimento. A prefeitura deveria se preocupar com a pirateria que é vendida nos quiosques da estação rodoviária, e os camelôs que não contribuem com o perfil da cidade.


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Titus Pullo

13/05/2010 14:33

O mais triste desses mandos e desmandos, é o fato de que Mauá já foi arrasada! Agora o novo alvo principal é Ribeirão Pires. Do jeito q vai, logo Ribeirão e Mauá serão uma coisa só, degradada e abandonada! A população tem q se mobilizar urgente!


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Titus Pullo

13/05/2010 às 14:31

A memória da cidade tem q ser preservada! Não apenas manter o quiosque, mas também reformar toda a estação e torná-la uma atração. Ta amis q na hora dessa administração tratar a cidade como uma ‘ESTÂNCIA’ de verdade!


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helena

13/05/2010 8:57

o que mais falta acontecer nesta cidade, querem acabar com toda historia de Ribeirão, até venda de rua tem, tiram quiosque e tudo mais, só falta o prefeito um dia mandar os moradores antigos embora tambem. Que falta de momoria tem nosso prefeito. Até parece que ele não viveu em Ribeirão ´pra saber historia da cidade


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Rodrigo

13/05/2010 às 8:47

Po, mó sacanagem fazer isso !!! Aquilo faz parte da história da nossa amada SPR... essa CPTM está acabando com nossa história ... pasmem!!! Não deixem demolir ... Não existe muita coisa da SPR... é uma pena e uma falta de consciência fazer isso!!!


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Airton Massari

13/05/2010 8:41

A cidade é sem memória porque aqui só se raciocina de 4 em 4 anos. E que razão cruel é esta que desconsidera tudo o que foi construído, trabalhado e vivenciado. Quando é que esta corja voltará para Mauá para terminar de destruir por lá também? Por falar nisso de que cidade e de que prefeito estávamos falando mesmo???


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Eu li e concordo com o termo de responsabilidade

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