Segurança viária Entre janeiro e junho deste ano, foram 2.181 ocorrências nas sete cidades; infração é classificada como grave, com cinco pontos na CNH
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A cada duas horas, um motorista é multado no Grande ABC por falta de uso de cinto de segurança. No primeiro semestre do ano, 2.181 infrações foram aplicadas na região, segundo dados do Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo).
Santo André liderou as estatísticas de multas do tipo com 1.050 ocorrências. Diadema e São Bernardo aparecem com 435 e 331, respectivamente. São Caetano (179), Mauá (86), Rio Grande da Serra (72) e Ribeirão Pires (28) completam a lista.
O item de segurança passou por várias mudanças no decorrer do tempo. Em 1959, o cinto de três pontos, modelo popular em veículos atuais e que segura pelo ombro, tórax e pelve, foi popularizado pelo engenheiro sueco Nils Bohlin, da fabricante Volvo.
No território brasileiro, o dispositivo foi imposto como item obrigatório na fabricação de veículos em 1968. Mas somente em 1997, com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), passou a ser obrigatório para todos os ocupantes.
A Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) afirmou que o uso correto do cinto reduz em cerca de 60% a chance de morte em caso de acidente. Apesar da segurança e da possibilidade de infração, alguns condutores ainda não fazem uso do item.
Além dos motoristas, os passageiros também devem utilizar o equipamento de segurança durante o trajeto. “Não usar o cinto é uma infração considerada grave (cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação) com multa de R$ 195,23, podendo ter a retenção do veículo. Os passageiros também são responsabilidade do motorista, dessa forma, ele pode ser multado caso eles não estejam usando. Inclusive, muitos trabalhadores de aplicativo são multados em razão dos passageiros. Hoje, o próprio aplicativo alerta para a obrigatoriedade ao entrar no automóvel”, explicou o advogado especializado em Direito no Trânsito, Anderson Freitas.
“O motivo dessa infração ser tão recorrente é a falta de atenção e cuidado dos condutores, que acham que não vai influenciar durante o trajeto. Mas, em caso de acidente, a pessoa pode ser jogada para fora do veículo”, acrescentou o especialista.
Apesar de ainda ser alarmante, o número vem melhorando com o passar dos anos. Como mostrado pelo Diário em janeiro do ano passado, foram aplicadas 5.788 multas s por falta de uso de cinto de segurança em 2024 na região, contra 5.362 infrações em 2025, segundo dados do Detran-SP.
A variação segue no primeiro semestre deste ano e no ano passado. Entre janeiro e junho de 2025, foram 3.379 violações – redução de 54% em relação ao primeiro semestre de 2026.
Segundo Freitas, a ampliação do número de câmeras de monitoramento, que ajuda a inibir a prática de infrações, aliada à conscientização de condutores e passageiros, contribui para a redução desses casos.
RODOANEL
A concessionária SPMar, responsável pelo Rodoanel Mário Covas, deve implementar 17 câmeras capazes de identificar automaticamente condutores que dirigem usando o celular ou sem o cinto de segurança, em trecho que corta o Grande ABC. Os equipamentos contam com inteligência artificial e chegam à região até o final deste ano. Segundo a concessionária, as imagens captadas são compartilhadas com a PMRv (Polícia Militar Rodoviária), responsável pela análise e pela emissão das autuações. Antes da aplicação da multa, todo flagrante passa por validação humana. Um policial fica no CCO (Centro de Controle Operacional) e avalia cada fotografia gerada pelos equipamentos. Imagens sem nitidez ou que não permitam comprovar a infração são descartadas. LEIA MAIS:
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