Eleições 2026 Declarações foram feitas pelo pré-candidato à Presidência da República em visita ao ‘Diário’
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Aldo Rebelo (DC), pré-candidato ao Palácio do Planalto, criticou a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula (PT), a qual considera ornamental e focada no aumento das despesas com propósitos eleitorais. O democrata-cristão, que já ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, afirmou que o governo federal tem deixado pautas de relevância nacional de fora das macro discussões.
“A agenda do presidente Lula é ornamental. É a de aumentar a despesa para enfrentar a eleição e de elevar impostos para pagar benefícios. (Mas) aumentar a receita com o crescimento da economia, essa agenda não existe por parte do governo”, disse Aldo Rebelo, ontem, em visita ao Diário.
Para o ex-ministro, ainda há descontentamento por parte dos deputados e senadores com relação às pautas debatidas pelo governo Lula que não focam na economia, mas em questões de costumes.
“Há um Congresso que é desenvolvimentista. Se você perguntar ao pessoal da Amazônia, ele vai dizer que quer a atividade pecuária, a agrícola e a mineração. E o que o governo oferece? Uma agenda de comportamento, de costumes. A agenda da Erika Hilton (deputada federal – Psol), que pode ser meritória para um grupo da sociedade, mas para o País, para a maioria (das pessoas), não representa transformação nenhuma”, criticou o democrata-cristão.
O pré-candidato à Presidência afirmou que a gestão Lula não está preocupada em mudar a vida das pessoas. “É com o desenvolvimento que o governo não se preocupa”, declarou.
Nesse contexto, Aldo Rebelo se posicionou com relação aos programas assistencialistas oferecidos pelo União à população em vulnerabilidade social. “A assistência social no Brasil é importante porque o País é muito desigual. Os direitos não chegam para os pobres. O Brasil nunca constituiu um estado de bem-estar social. O Bolsa Família não pode ser projeto de vida. Tem de ser uma emergência. Então, você precisa oferecer à sociedade, aos jovens brasileiros, alguma coisa mais do que o Bolsa Família. Você não pode condenar as futuras gerações a viver nisso. O slogan do governo (Brasil da Esperança) é uma farsa”, disse Aldo.
Ex-integrante do PCdoB por mais de três décadas, além de passagens por MDB, PSB, PDT e Solidariedade, Aldo também criticou o desempenho econômico do País. Segundo o ex-ministro de Lula, o mote adotado pela federação partidária formada pelo PT, PCdoB e PV, que projetava um País para o futuro mais igual, fraterno e desenvolvido, se analisado dentro do atual panorama político-administrativo, ficou apenas na propaganda.
“Os economistas dizem todo dia: ‘o Brasil vive o chamado voo de galinha’. Aquele voo curtinho e baixo. Se você quiser um voo alto, tem de olhar o Carcará lá em cima. A galinha é um voozinho baixo e curto. Voa dali para cá e acabou, e essa é a economia brasileira”, disse Aldo Rebelo, em crítica à gestão financeira e fiscal do País e sobre o baixo estímulo do governo em criar políticas de capacitação de desenvolvimentista no Brasil.
A rejeição pelo Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal) demonstra fragilidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é do ex-ministro e pré-candidato à Presidência da República Aldo Rebelo (DC).
“O desdobramento é a expressão não só da derrota política na nomeação, mas também a exposição da fragilidade do governo no Congresso. O Lula não tem maioria no Senado, nem na Câmara. Se a gestão não conseguiu perceber o clima (que indicava derrota), a situação demonstra uma articulação política muito frágil. Então, você tem com a derrota da escolha do ministro a exposição da fragilidade do governo”, disse o ex-ministro e ex-presidente da Câmara Federal.
Aldo argumentou que a decisão tomada pelo Senado não foi técnica. “O problema é que o Supremo, hoje, não é mais uma Corte constitucional, mas política. Por ser política, é para proteger os interesses de quem está no poder. O que o Senado julgou não foi a escolha de um ministro, mas sim, de um protagonista político que vai para o Supremo Tribunal Federal exercer uma função política.”
O ex-ministro, que garantiu respeitar Jorge Messias por sua trajetória e tecnicidade, lamentou a rejeição – o advogado-geral da União foi vetado por 42 votos a 34, por questões políticas. “Então, o doutor Messias, independentemente dos méritos e das virtudes como advogado e jurista, pagou, provavelmente, por uma coisa que não esperava e que talvez também não merecesse”, disse.
A derrota do governo Lula, de acordo com o ex-ministro, é interpretada como vitória do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). “Quem saiu vitorioso foi o senador. Todos estão atribuindo (a vitória) a Alcolumbre. Ele está mais forte e o mercado vai ver isso”, pontuou.
LEIA MAIS:
Lula lidera no primeiro turno e empata com Flávio e Zema no segundo turno
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.